Guimoo
Atendimento e comercial

Os 4 setores do escritório de advocacia: onde o contrato se perde

Marketing, comercial, pós-venda e jurídico. Separar os setores, mesmo trabalhando sozinho, mostra em que ponto o escritório está perdendo contrato.

Guilherme Caetano
Guilherme Caetano

· 8 min de leitura

Compartilhar
Trecho de uma reunião da Guimoo.

Todo escritório de advocacia tem quatro setores, mesmo quando uma pessoa só faz tudo: marketing, que gera a demanda; comercial, que recebe o contato e fecha o contrato; pós-venda, que coleta documentos e cria o relacionamento; e jurídico, que peticiona e acompanha o processo até o fim. Separar esses papéis é o que permite descobrir onde o contrato está se perdendo. “Estou fechando pouco contrato” não diz muita coisa. “Chega bastante gente no WhatsApp e pouca gente assina” diz exatamente onde olhar.

No vídeo acima, trecho de uma aula da Guimoo Academy, eu desenho essa linha no bloco de notas: marketing, comercial, pós-venda, jurídico. É a visão que eu uso no escritório de cuja gestão participo e nos escritórios que acompanho nas implementações da Guimoo. Não é o único jeito que funciona: 3 mais 4 é 7, e 5 mais 2 também é 7. Mas é um jeito simples de enxergar o escritório como um todo.

Por que pensar o escritório em setores

O cliente não passa um dia no seu escritório. Ele entra por um anúncio ou por uma indicação, conversa pelo WhatsApp, assina o contrato, manda documentos, espera a petição, vai à audiência. São semanas, meses, às vezes anos. Outro dia fizemos a audiência de um cliente que tinha fechado contrato em 2022.

Se você desenhar esse caminho numa linha, do primeiro contato até o fim do processo, os setores aparecem sozinhos. Cada trecho da linha tem uma função, uma entrega e um jeito de dar errado. É daí que nascem os processos internos. Parece coisa de consultor, mas começa com uma folha de papel e uma pergunta: por onde o meu cliente passa?

Os 4 setores e o que cada um entrega

1. Marketing: gerar demanda

O marketing existe para colocar dentro do escritório pessoas que têm um problema que você resolve: uma questão trabalhista, um divórcio, uma pensão, um BPC/LOAS, uma revisão bancária. E problema é o que não falta. Mais de 2 milhões de pessoas nascem no Brasil todo ano, e quase todas vão precisar de um advogado em algum momento da vida.

Antigamente, o escritório numa rua movimentada recebia gente batendo na porta. Hoje essa rua é a internet: anúncio pago, conteúdo nas redes, aulas mais longas. O escritório pode ser 100% online, com reunião por chamada de vídeo, e não há por que ter vergonha disso. Se o cliente fizer questão de reunião presencial, dá para marcar num coworking.

O que o marketing entrega: conversas no WhatsApp com pessoas que têm o tipo de caso que o escritório atende. Tudo isso dentro das regras de publicidade da advocacia, que estão no Provimento 205/2021 da OAB.

2. Comercial: colocar o cliente para dentro do escritório

O comercial faz quatro coisas, e só quatro:

  1. Recepção. A primeira mensagem já mostra quem é o escritório. Nada de “oi, tudo bem, como posso ajudar?”. Algo como: “Olá, seja bem-vindo ao escritório X. Atuamos em direito do trabalho e atendemos em todo o Brasil. Para começar, pode me dizer o seu primeiro nome?”. A advocacia ainda tem prestígio, e a pessoa percebe isso desde a primeira linha.
  2. Análise de viabilidade jurídica. As perguntas de triagem que mostram se existe um caso e se é o tipo de caso que o escritório atende.
  3. Oferta do contrato. Explicar com clareza como o escritório trabalha, quanto custa e quando se paga.
  4. Agendamento da reunião ou transferência para o próximo setor. Contrato assinado, reunião marcada.

Tudo isso se resume a uma coisa: colocar o cliente para dentro do escritório. E, se o processo é todo digital, não faz sentido o comercial atender só a sua cidade.

Repare no que não está na lista: pedir documentos e senhas. Quando você fecha um BPC/LOAS e vai precisar da senha do Meu INSS, não é o comercial que pede. O cliente não entrega a senha para quem ainda está vendendo para ele. Isso é trabalho do próximo setor.

3. Pós-venda: documentos, senhas e confiança

O pós-venda recebe o cliente de contrato assinado. É ele que faz a reunião por vídeo, cria o relacionamento, pede a documentação e as senhas e cobra o que foi combinado. A advocacia é uma relação de confiança, e é nessa etapa que o cliente passa a conhecer quem vai cuidar do caso dele.

O que o pós-venda entrega: o cliente com tudo o que o processo precisa, pronto para o jurídico.

4. Jurídico: do protocolo ao fim do processo

O jurídico faz o peticionamento e o andamento, e fica com o cliente desde o protocolo até o último ato do processo. Isso inclui coisas que não aparecem na petição, como garantir que o cliente esteja na audiência. Já precisei mandar um mototáxi até a casa de um cliente, em outro estado, porque ninguém conseguia falar com ele às vésperas da audiência. O jurídico também é isso: correr atrás para o processo andar.

Financeiro e cobrança também são setores, mas são complementares. O núcleo, a estrutura base do escritório, são esses quatro.

SetorO que entregaSinal de que algo está errado
MarketingContatos com o perfil de caso que o escritório atendePouca gente chegando no WhatsApp, ou gente que nunca tem o caso que você atende
ComercialContrato assinado e reunião marcadaMuitas conversas e poucas assinaturas
Pós-vendaDocumentação e senhas completasContrato assinado e cliente que não manda nada
JurídicoProcesso protocolado e acompanhado até o fimDocumentação completa parada, cliente ausente na audiência

“Mas eu trabalho sozinho”

Não tem problema ser sozinho. Setorizar não é contratar uma pessoa para cada setor. É entender o papel de cada setor, mesmo que a mesma pessoa faça todos eles.

Quem trabalha sozinho está gerindo um escritório, do mesmo jeito que quem tem uma equipe de vinte. E gerir, na prática, é resolver problemas. Todo dia eles aparecem. A diferença está em saber de onde cada um vem. Quando dá problema e os setores estão separados, você sabe exatamente quem cobrar, nem que seja você mesmo, com o chapéu de comercial ou com o chapéu de pós-venda.

Uma forma simples de começar, trabalhando sozinho: separe o tempo do dia por papel. Uma hora para o comercial, lendo e respondendo as conversas novas. Outra para o pós-venda, cobrando documentos. O resto para o jurídico. Quando a semana termina mal, você sabe qual dessas horas ficou faltando.

Como descobrir em qual setor o contrato se perde

Imagine alguém que trabalhou dois anos sem carteira assinada e quer saber se pode ter direito a alguma coisa. Cada setor tem um trabalho diferente com essa mesma pessoa. O marketing tem que fazer com que ela mande mensagem no seu WhatsApp. O comercial tem que explicar como funciona e fazer com que ela assine o contrato, porque ter um possível direito não significa contratar você. O pós-venda tem que fazer com que ela mande a documentação. O jurídico tem que levar o processo adiante e fazer com que ela esteja na audiência.

Quando o escritório está fechando pouco, o caminho é fazer perguntas setor por setor, na ordem da linha:

  1. Marketing. Está chegando gente? O nicho é bom, é sustentável? Se quase ninguém chega, o problema começa aqui, e mexer no comercial não vai resolver.
  2. Comercial. Está chegando gente e pouca assina? Antes de dizer que os contatos são ruins, sente e leia as conversas. Contato ruim não é o contato que não fechou. Veja se a recepção foi profissional, se a triagem fez as perguntas certas, se a oferta do contrato ficou clara, se a resposta demorou.
  3. Pós-venda. Assinam e não mandam documento? Veja como a coleta está sendo feita: se houve reunião, se o pedido foi claro, se tinha prazo, se alguém cobrou.
  4. Jurídico. A documentação está completa e o processo não sai? Aí o gargalo está no peticionamento ou no acompanhamento.

Ninguém resolve um problema sem saber onde ele está. Achado o setor, o esforço vai para ele: estudar mais aquela parte, contratar alguém para ela, montar um time interno ou fazer parceria com quem tem mais experiência naquilo.

Setorizar vem antes de automatizar

Muita gente quer automatizar o atendimento com inteligência artificial antes de entender o próprio comercial. Não funciona. Não dá para automatizar um setor cuja função você ainda não definiu.

Com os quatro setores claros, a automação fica óbvia. As quatro funções do comercial viram o roteiro do agente de I.A.: recepção, perguntas de triagem da área, oferta do contrato e agendamento da reunião. O pós-venda e o jurídico continuam com as pessoas do escritório. É nessa ordem que trabalhamos nas implementações da Guimoo: primeiro o processo, depois o roteiro, por último a automação.

Por onde começar esta semana

  1. Desenhe a linha. Numa folha: marketing, comercial, pós-venda, jurídico. Embaixo de cada um, o nome de quem responde por ele. Pode ser o seu nome nos quatro.
  2. Escolha um número por setor. Contatos que chegaram, contratos assinados, clientes com documentação completa, processos protocolados. Anote toda segunda-feira.
  3. Quando um número cair, pergunte de qual setor é o problema. Se você não souber, continue perguntando, nem que seja para você mesmo, até chegar no setor certo.

Conhece alguém que precisa ler isto?

Mande para um colega do escritório.

Receba os novos artigos por e‑mail

Um e-mail por semana, no máximo, com o que saiu no blog.

Acompanhe a Guimoo

Mais conteúdo sobre atendimento e comercial do escritório, em vídeo.

Perguntas frequentes

Quais são os setores de um escritório de advocacia?

O núcleo tem quatro: marketing, que gera a demanda; comercial, que recebe o contato, analisa a viabilidade e fecha o contrato; pós-venda, que coleta documentos e senhas e cria o relacionamento; e jurídico, que peticiona e acompanha o processo até o fim. Financeiro e cobrança são setores complementares a esses quatro.

Quem trabalha sozinho precisa separar o escritório em setores?

Precisa. Setorizar não é contratar uma pessoa para cada função, é saber qual papel você está fazendo em cada momento. Quando o número de contratos cai, é essa separação que mostra se o problema está na demanda, no fechamento, na documentação ou no andamento do processo.

Quem deve pedir os documentos do cliente: o comercial ou o pós-venda?

No modelo que eu uso, o pós-venda. O comercial fecha o contrato e agenda a reunião; documentos e senhas são pedidos depois, por quem vai cuidar do caso. Há escritórios que fazem diferente e funcionam, mas o pedido feito depois da assinatura tende a ser atendido com mais frequência.

Por que o escritório fecha pouco contrato mesmo recebendo muitos contatos?

Quando os contatos chegam e os contratos não saem, o problema costuma estar no comercial: recepção fraca, triagem confusa, oferta pouco clara ou demora para responder. Antes de culpar a qualidade dos contatos, vale ler as conversas e ver em que ponto elas param.

Guilherme Caetano

Quem escreveu

Guilherme Caetano

Fundador da Guimoo

Guilherme Caetano é fundador da Guimoo, plataforma de I.A., CRM e automação de WhatsApp usada por mais de 1.000 contas ativas. Também participa da gestão do escritório Sales Caetano Advogados, com atendimento nacional nas áreas trabalhista, previdenciária, bancária e do consumidor, e cursa Direito em Goiânia.

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Os comentários passam por moderação antes de aparecer. Não conte detalhes do seu caso nem dados de saúde: aqui não damos orientação jurídica sobre casos concretos. Usamos o seu nome e e-mail só para moderar e responder este comentário (política de privacidade).

Veja a Guimoo atendendo no seu escritório

Numa demonstração de 30 minutos, mostramos o agente atendendo, qualificando e agendando com os modelos da sua área.