Como fechar mais contratos na advocacia: demanda e atendimento
Por que um escritório converte 10% dos contatos e outro 2% com o mesmo sistema. Como descobrir se o problema está na demanda ou no atendimento.
· 5 min de leitura
Fechar contrato depende de duas coisas: gerar demanda e atender bem essa demanda. Não tem segredo além disso. Quando um escritório diz que está fechando pouco, a primeira pergunta é qual das duas está falhando: estão chegando poucas pessoas no WhatsApp, ou estão chegando pessoas e poucas assinam? A resposta está em dois números que qualquer escritório consegue tirar em meia hora: quantos contatos novos chegaram e quantos contratos foram assinados no mesmo período.
A fórmula que eu escrevo no começo da aula
No vídeo acima, trecho de uma aula da Guimoo Academy sobre follow-up, eu parto de uma linha só: geração de demanda mais atendimento é igual a contrato fechado. Se você melhora a geração de demanda, fecha mais contratos. Se melhora o atendimento, fecha mais contratos. Se melhora os dois, o efeito se soma.
Parece óbvio, e é. O problema é que muita gente tenta resolver o fechamento baixo mexendo no lugar errado. Aumenta o investimento em anúncio quando o problema está no atendimento, ou troca o roteiro do atendimento quando quase ninguém está chegando. Separar as duas coisas evita gastar dinheiro e energia no lado que já está funcionando.
Por que um escritório converte 10% e outro 2% com o mesmo sistema
Eu vejo isso toda semana. Um escritório reclama que, a cada 100 contatos que chegam no WhatsApp, só 2 assinam. Outro, da mesma área e usando o mesmo sistema, fecha 10 a cada 100. A ferramenta é a mesma. O que muda?
Quase sempre, o processo. Quando entro na conta que converte mais, ela está organizada: os funis separados por área, cada contato numa etapa do atendimento, as etiquetas em dia. Quem olha sabe exatamente onde cada pessoa está: na recepção, na análise de viabilidade, na oferta do contrato, esperando assinar, esperando o agendamento. E, sabendo onde cada um está, dá para agir em cada etapa.
Na conta que converte menos, geralmente está tudo misturado. Não dá para saber quem ouviu a oferta e não respondeu, quem recebeu o contrato e não assinou, quem assinou e não agendou. Sem essa informação, não tem como melhorar.
É o que eu chamo de inteligência empresarial. O escritório é uma empresa, e empresa que quer crescer precisa saber onde está perdendo cliente.
Geração de demanda: de onde vêm os contatos
Gerar demanda é fazer com que pessoas que têm um problema que você resolve cheguem até o escritório. As fontes mais comuns:
- Anúncio pago. Hoje é o jeito mais simples de gerar demanda constante, todos os dias. O Provimento 205/2021 da OAB permite anúncios pagos e publicidade ativa de conteúdo jurídico, desde que o conteúdo seja informativo, sóbrio, sem mercantilização e sem incitar diretamente o litígio ou a contratação.
- Conteúdo orgânico. Vídeos e textos que ensinam a pessoa sobre um direito, como “quem trabalhou sem carteira assinada pode ter direito a verbas trabalhistas”. Funciona, mas exige constância e tempo de alguém gravando e escrevendo.
- Indicação. É demanda legítima e muitas vezes mais qualificada, mas não é previsível. Você fica torcendo para alguém lembrar de você. Serve como complemento, não como base.
O que não entra na lista: comprar lista de contatos e mandar mensagem para quem nunca procurou o escritório. Isso é captação de clientela, vedada pela OAB, e pode virar processo disciplinar.
Um ponto que pouca gente considera: toda demanda gerada deixa um estoque. São as pessoas que conversaram com o escritório, podiam ter direito, mas não fecharam naquele momento. Essa demanda represada continua no seu WhatsApp ou no seu CRM, e trabalhar com ela, com follow-up enquanto a conversa está aberta e, depois, com ações de retomada para quem autorizou ser procurado de novo, é uma das formas mais baratas de fechar mais.
Atendimento: onde a conversa para
Do lado do atendimento, a pergunta não é “o atendimento está bom?”. É “em que etapa as pessoas param?”. Para responder, o atendimento precisa estar dividido em etapas, e cada contato precisa estar marcado na etapa em que parou. Um desenho simples, que eu uso:
- Recepção
- Análise de viabilidade
- Qualificado
- Oferta do contrato
- Contrato enviado
- Contrato assinado
- Aguardando agendamento
- Agendamento feito
E, fora da linha: desqualificado, não tem interesse, já é cliente do escritório.
Com isso, você bate o olho e vê onde está o acúmulo. Muita gente parada em “oferta do contrato” pede uma explicação mais clara do honorário. Muita gente em “contrato enviado” pede um contrato mais fácil de preencher e assinar. Muita gente em “aguardando agendamento” pede horários mais próximos e mais simples de escolher.
A mesma organização decide quem recebe follow-up. Faz sentido mandar follow-up para quem está dentro do atendimento e parou de responder. Não faz sentido mandar para quem foi desqualificado, nem para quem já agendou a reunião: para essa pessoa o atendimento acabou, e o que ela precisa, no máximo, é do lembrete da reunião.
Como descobrir qual dos dois está falhando
- Tire os dois números do último mês. Contatos novos que chegaram e contratos assinados. Use sempre o mesmo período.
- Calcule a conversão. Contratos divididos por contatos, vezes 100. Trezentos contatos e quinze contratos dão 5%.
- Se chegam poucos contatos, o problema começa na demanda. Mexer no atendimento não vai resolver falta de gente chegando.
- Se chegam contatos e a conversão está baixa, o problema está no atendimento. Veja em que etapa as pessoas param e trabalhe essa etapa primeiro.
- Repita todo mês. O número isolado diz pouco. A comparação com o mês anterior diz se o que você mudou funcionou.
Se você quiser ir um passo além e descobrir em qual setor do escritório o contrato se perde, do marketing ao jurídico, o artigo sobre os 4 setores do escritório de advocacia detalha esse diagnóstico.
Por onde começar
Comece pelo que é mais barato: o atendimento que você já tem. Antes de aumentar o investimento em anúncio, organize as etapas, marque onde cada contato está e veja onde a conversa trava. Um anúncio a mais traz mais gente para o mesmo gargalo. Um gargalo resolvido melhora o resultado de todo contato que já está chegando.
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Perguntas frequentes
Qual é uma boa taxa de conversão de contatos em contratos para escritório de advocacia?
Depende da área, do tipo de honorário e da origem dos contatos, então não existe um número único. O que eu vejo com frequência é a mesma área ter escritórios convertendo 2% e outros 10% dos contatos. A comparação que importa é com o seu próprio número do mês anterior, medido sempre do mesmo jeito.
Como calcular a taxa de conversão do escritório?
Divida os contratos assinados pelos contatos novos que chegaram no mesmo período e multiplique por 100. Se chegaram 300 contatos em setembro e 15 assinaram, a conversão foi de 5%. Use sempre o mesmo período e conte só contatos novos.
Indicação é uma boa forma de gerar demanda?
É uma forma legítima e costuma trazer contatos mais qualificados, mas não é previsível: você depende de alguém lembrar do escritório. Para ter contatos todos os dias, é preciso somar uma fonte constante, como anúncio pago ou conteúdo informativo, dentro das regras do Provimento 205/2021.
Posso comprar uma lista de contatos para gerar demanda?
Não. Mandar mensagem para quem nunca procurou o escritório é captação de clientela, vedada pelo Código de Ética e Disciplina da OAB e pelo Provimento 205/2021. Ações de retomada só cabem para quem já conversou com o escritório e autorizou ser procurado de novo.

Quem escreveu
Guilherme CaetanoFundador da Guimoo
Guilherme Caetano é fundador da Guimoo, plataforma de I.A., CRM e automação de WhatsApp usada por mais de 1.000 contas ativas. Também participa da gestão do escritório Sales Caetano Advogados, com atendimento nacional nas áreas trabalhista, previdenciária, bancária e do consumidor, e cursa Direito em Goiânia.
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